Pelo Direito, pelo Dever

Na última edição deste jornal comemorávamos os 45 anos passados sob a Revolução dos Cravos, o nosso 25 de Abril, a data que nos trouxe a Liberdade. A maior conquista dessa revolução foi a Democracia, o regime político em que vivemos e assentamos o nosso país, em que todos os cidadãos elegíveis e sem exceção participam igualmente na criação de leis, no seu desenvolvimento, no exercício do poder e da governação.

Todos nós fazemos a nossa parte no governo deste país (e do mundo) através das pessoas que elegemos para nos representar, naquilo que se chama o sufrágio universal. A Democracia desse 25 de Abril deu-nos a possibilidade de novos e velhos, ricos e pobres, homens e mulheres, contribuirmos todos e de igual forma para os desígnios do nosso futuro. Todos nós valemos um voto. Todos nós valemos o mesmo. E todos nós temos o direito e o dever de livremente escolher quem queremos que represente os nossos ideais, os nossos pontos de vista, as nossas estratégias.

Sabemos que hoje em dia há uma descrença grande no sistema político geral, em que a abstenção mais do que uma arma é uma resignação. Mas deixar que os outros, todos os outros que se importaram e foram votar, decidam por mim quem estará a determinar o meu futuro? Não ter uma voz participativa no meu caminho, na minha vida?

É disto que se trata a Democracia, as eleições. Sejam elas autárquicas, legislativas ou europeias, quando vamos à mesa de voto e cumprimos com o nosso direito, aquele que alguns dos nossos pais e avós estavam proibidos de fazer, estamos a decidir que caminho vai tomar o nosso futuro. E quando as pessoas que escolhemos para dar voz aos nossos ideais saem derrotadas, pelo menos sabemos que ali se mantém na luta, sem desistir, sem deixarem de olhar pelos nossos desígnios.

As eleições europeias não devem e não podem ser olhadas como menos importantes. No próximo domingo, estaremos a votar para a única assembleia transnacional do mundo, que elege o presidente da Comissão Europeia, nomeia os comissários, e os responsabiliza pelas suas ações. Esta assembleia aprova legislação, orçamentos; representa-nos além continente nas agendas políticas e sociais; defende os valores do Tratado da União Europeia; mantém a ordem comercial, institucional e a paz.

Serão assuntos sem importância para nós? Serão assuntos que, mal geridos, não interferem na nossa vida?

Não consigo aceitar que, fruto de tantas privações e luta dos meus pais e avós, hoje eu tenha a liberdade de escolher, e não o faça por absentismo. Eu vou votar dia 26 de maio. Vou escolher quem me representa. Vou dar um voto de confiança em quem melhor me elucidou e com quem partilho a minha visão europeísta.

,