Reabilitação urbana ao serviço das populações, Carreiros não pode ficar esquecido!

Integra a cidade o conjunto dos seus habitantes, com as suas diferentes actividades e dinâmicas distribuídas por um território determinado, com características próprias, os bairros, que na sua diversidade constituem um todo identitário, uma comunidade.

O espaço público na cidade tem que ser encarado como suporte da diversidade, da liberdade e forma de contrariar a polarização e a segregação social.

Como dizia David Harvey: “A questão de que tipo de cidade queremos não pode ser divorciada do tipo de laços sociais, relação com a natureza, estilos de vida, tecnologias e valores estéticos desejamos. O direito à cidade está muito longe da liberdade individual de acesso a recursos urbanos: é o direito de mudar a nós mesmos pela mudança da cidade. Além disso, é um direito comum antes de individual já que esta transformação depende inevitavelmente do exercício de um poder coletivo de moldar o processo de urbanização. A liberdade de construir e reconstruir a cidade e a nós mesmos é, como procuro argumentar, um dos mais preciosos e negligenciados direitos humanos.”

A responsabilidade do município é de encontrar os meios para promover a reabilitação sem descaracterizar as áreas a reabilitar.

Para o Bloco de Esquerda a reabilitação urbana só é possível se ela for capaz de dar resposta ao problema das pessoas. Algo que não tem acontecido no Complexo Habitacional de Carreiros, onde a degradação das habitações e dos espaços comuns tem prejudicado em muito as pessoas que lá vivem .O município tem feito vista grossa aos seus graves problemas.

Em 2016 o município anunciou um plano de investimento que iria permitir dar resposta às situações mais urgentes em vários complexos habitacionais do município, sendo que o de Carreiros também se encontrava incluído.

Passados quase 3 anos muito continua por fazer neste complexo habitacional, com fachadas, paredes degradadas e cheias de fissuras, que permitem a entrada de humidade em altura de intempéries, representando um perigo para quem lá habita.

Para além da enorme degradação deste complexo habitacional, deparamo-nos com um cenário ainda mais grave, em meados de 2018 o município decide encerrar dois espaços de actividades infantis, um parque infantil e um campo de futebol, por estes não apresentarem condições de segurança para quem os utiliza. Na altura existia o compromisso de reabilitar estes espaços para que os mesmos voltassem a ser utilizados, quase um ano depois e estes espaços continuam encerrados e interditos à população.

Mais grave ainda se torna a situação quando assistimos a um complexo onde é gritante o número de habitações devolutas. É urgente reabilitar estes complexos e colocá-los disponíveis para habitação. Esta medida irá permitir ao município dar resposta aos mais de três mil pedidos de habitação social, que se encontravam pendentes em Setembro de 2017.

À semelhança do que acontece na maioria das cidades europeias, Gondomar precisa de assumir a reabilitação urbana como uma prioridade ao nível das políticas de habitação e dos programas de investimento público. A população de Carreiros e os Gondomarenses não podem ficar esquecidos.

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