Superfícies comerciais, greves e chefias. Mais do mesmo!

Abriu portas, no passado dia 23 de julho, mais uma grande superfície comercial em Gondomar (desta vez em Fânzeres).  É algo que “faz parte” da evolução natural do mercado, dando resposta aos anseios das populações, trazendo investimento para o concelho, criando emprego e gerando novas dinâmicas locais.

Mas não há bela sem senão…

Sim, abriu. Sim, esteve no local o presidente da Câmara de Gondomar. Sim, acompanhado por parte do seu “staff” e elementos da vereação. Foi um momento bonito, registado para a posteridade e partilhado nas redes sociais e, até, no sítio institucional da Câmara Municipal de Gondomar…

Tenho várias perguntas (para as quais, como sempre, e enquanto deputado municipal, não merecerei qualquer tipo de resposta.

Não havia, na zona, oferta suficiente de tal tipo de lojas e serviços? Lembro-me de cinco espaços de comércio iguais ou similares num espaço de poucos minutos… E ninguém regula e avalia tal proximidade. E sei que outros, mesmo ao lado, também têm abertura programada!
Entretanto – e como Empresário  que sou e Socio da Associação Comercial e Industrial de Gondomar – convém saber o que tem feito, recentemente, a Câmara para apoiar o comércio local?

Entre o pouco e o nada, são reduzidas as minhas dúvidas.

No “passado” (o tal que tanto apoquenta o presidente da Câmara), também se inauguraram espaços comerciais. Também se criou emprego e criaram-se novas dinâmicas. Mas entre o tal “passado” e este “presente”, tenho que dizer que no “antigamente” havia alguma moderação naquilo que se deixava edificar e abrir.

Sobre a criação de mais empregos nestas novas unidades comerciais, há uma preocupação que me incomoda. Quanto desse emprego não é precário e/ou temporário? Quantos dos novos 85 trabalhadores [informação da Câmara de Gondomar] terão vínculo ou condições?
Mudando de assunto, mas mantendo o destinatário, mais uma vez critico a infantil gestão da página de Facebook do atual presidente da Câmara. Misturando pessoal com institucional, ainda há dias fez questão de com todos partilhar a sua vertente de bombeiro. Louvo-lhe a dedicação, as noites perdidas e a preocupação pelos outros. Dispensava que, de forma pública, fossem divulgadas imagens de uma criança acidentada.

Falando agora da gestão do Município, aprecio a preocupação que há em se abrirem procedimentos concursais para vários cargos de chefia na Câmara de Gondomar. De uma só vez, diretor dos departamentos de Atendimento Municipal e Inovação, Obras Municipais, Planeamento Estratégico e Equipamento, Urbanismo, Jurídico e, finalmente, Económico e Financeiro.

Os cargos existem e são para serem preenchidos. Mas pela competência. Aguardo pelo final dos referidos concursos para analisar quem são as novas chefias. Por onde andaram nos últimos anos, o que fizeram e que bandeiras empunharam (ou não…).
Mas se por um lado há natural preocupação com as chefias, por outro há um verdadeiro “quero-lá-saber” em relação a outros. Recordo, por exemplo, os funcionários de uma empresa privada que fazem a limpeza de vários serviços e espaços da Câmara de Gondomar. Entraram hoje, 23 de julho, em greve. Já se tinham manifestado várias vezes em relação ás condições de trabalho e a salários em atraso. A Câmara “foge com o rabo à seringa” e diz nada ter a ver com o assunto.

Sim, não compete à Câmara pagar a funcionários de serviços que foram adjudicados a empresas… Mas seria competência da Câmara acompanhar mais de perto o que se passa – em vez de assobiar para o lado.

Nota final 1:

Alguém, com paciência e arte, que pesquise o que disse aquele que foi presidente da Junta de Rio Tinto sobre a abertura de um tal de “Parque Nascente”. E que leia os comunicados do PS de 2003 – que até de “ilegal” classificavam o referido espaço comercial.

Nota final 2:

Podia, enquanto gondomarense, dirigente associativo e, até, deputado municipal, aqui reagir a um “comunicado” divulgado na última edição do Vivacidade. Mas há algo que me distingue de outros.

Nota final 3:

Sobre as duas anteriores “notas finais”… Eu tenho memória e não me esqueço de um dia para o outro do que faço, do que digo e do que escrevo. Fossem todos assim…

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