ETAR de Gramido – mais um atentado

Voltamos hoje a um tema que temos vindo a abordar apenas referencialmente, mas que rotulamos de fundamental no contexto da absoluta necessidade de preservação da saúde pública, pois é cada vez maior o fluxo de gondomarenses e não só, que utilizam a área em causa como espaço de lazer, da prática desportiva e de convívio, designadamente familiar, correndo assim sérios riscos de contração inadvertida de doenças e outras maleitas físicas.

Com efeito reportamo-nos às frequentes descargas de águas residuais, sem tratamento algum, advindas da ETAR de Gramido junto ao Polis, conspurcando inexplicável e irresponsavelmente toda a zona, seja a água do rio que fica carregada de uma imensa mancha branca, completamente poluída, seja toda a zona circundante que sendo já quotidianamente influenciada por maus cheiros resultantes do funcionamento da ETAR fica, aquando destas inadmissíveis descargas, invadida de um mau cheiro intenso e nauseabundo tornando o ar quase que irrespirável a quem por ali se encontre.

Tal aconteceu, mais uma vez, na passada terça-feira, dia 6 de dezembro, entre as 21h00 e as 22h30 horas, tingindo o rio de uma larga e constrangedora mancha daquilo que parece uma espuma branca malcheirosa e perigosa, lembrando aquilo que já só vemos, e tendencialmente menos, em países do terceiro mundo. Ora, importa não esquecer que estamos em Portugal, em 2016, país integrado na União Europeia, espaço onde os critérios da salubridade ambiental são rígidos e peremptórios, tornando-se totalmente inadmissível que comportamentos como estes, tomados por entidades cuja competência é precisamente a contrária, possam ainda acontecer ou sequer ser tolerados.

Toda esta anacrónica situação se reitera numa das mais nobres zonas do concelho, onde designadamente funciona um restaurante e onde funciona também Clube Naval Infante D. Henrique, cuja atividade fica drasticamente afetada, e sem que os responsáveis municipais tomem qualquer medida para que definitivamente tal deixe de acontecer. Que o CDS tenha conhecimento esta é já, nos últimos seis meses, a quarta descarga efetuada – meados de agosto; meados de setembro; finais de outubro -, e sem que, aparentemente, alguma atitude tenha sido tomada contra os responsáveis das descargas, a empresa Águas de Gondomar ao que cremos.

O concelho de Gondomar tem que, de uma vez por todas, se emancipar desta sorte de irresponsabilidades e promover todas as ações dissuasoras, por muito duras que tenham que ser, no sentido de erradicar do seu território tais péssimos exemplos e tão vis ataques à qualidade de vida dos seus cidadãos. Neste campo o papel interventivo dos responsáveis municipais, seja ele fiscalizador seja sancionatório, desde logo do Sr. Presidente da Câmara e do Sr. Vereador do Pelouro do Ambiente, mostra-se imperioso que exista, apesar de, com muita pena nossa, parecerem continuar a pactuar, a “fechar os olhos” a tão criminosa facilidade com que se depauperam recursos relativamente aos quais deveria o Município apenas ter espaço para os potenciar e colocar ao serviço da qualidade de vida dos gondomarenses.

Se financeiramente se torna incomportável obviar ao problema, então porque não simplesmente desativar a ETAR de Gramido e encaminhar os seus efluentes para a ETAR do Freixo que já recebe e trata as águas residuais de Rio Tinto e Fânzeres.

Este é um assunto sério, pelo que clamamos para o sentido de responsabilidade de quem tem importantes competências na gestão do Município, a fim de que não permitam a ocorrência de tão nefastos atentados como este aqui realçado.

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