Luz ou sombra

As luzes de Natal e o corrupio dos dias que precedem a quadra natalícia tomam conta do quotidiano e fazem esquecer, por momentos, as tormentas que este final de ano deixa no ar.

A eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos da América acabou por colocar a nú, com indelével clareza, os efeitos que uma globalização desregulada sobre grandes grupos das nossas sociedades fazendo-os cair em processos de empobrecimento, exclusão e descrédito em relação ao sistema político e como tudo isto acaba por produzir o caldo social propiciador a uma adesão fácil ao discurso populista. Um filme que já vimos num passado não muito longínquo mas com o qual parece termos aprendido todos muito pouco.

Do programa de Donald Trump muito pouco se chegou a reter a não ser um conjunto de ideias mais ou menos desgarradas que passam pelo fecho de fronteiras e expulsão de imigrantes, pela suspensão dos acordos ambientais saídos da cimeira de Paris, pelo retorno ao protecionismo económico, pelo voltar a fazer a “América grande”, tudo isto misturado com alguns severos ataques à NATO deixando pelo meio um piscar de olhos a Putin e voltando muitas vezes atrás ou reformulando o que previamente tinha dito, num ou noutro ponto.

A tomada de posse de Donald Trump faz de 2017 uma caixa de surpresas, que as suas recentes ações e as nomeações anunciadas para a sua equipa deixam antever sombrias.

Num momento em que o mundo se vê a braços com um conjunto de conflitos, sem solução à vista, e com um agravamento da situação humanitária sem precedentes – traduzida uma crise de migrantes e refugiados como não há memória – e em que a União Europeia vive um período de grande turbulência interna cuja face mais visível é o Brexit, a vitória de Trump gera apreensão também pela influência que pode ter na dinâmica de crescente afirmação e conquista de terreno pelos movimentos populistas e nacionalistas a que vimos a assistir em alguns países deste lado do Atlântico.

A recente eleição do novo presidente austríaco permitiu-nos respirar fundo ao afastar a hipótese de ver alguém de extrema direita assumir esse cargo, mas o resultado do referendo em Itália com a consequente demissão de Matteo Renzi logo veio trazer um preocupante rasto de instabilidade, com novas eleições no horizonte que se vêm juntar às eleições francesas – onde a simpatia conquistada por Marine Le Pen não pode deixar de gerar preocupação – e às eleições na Alemanha – onde a onda populista tem vindo a crescer.

Enfim, espera-nos um novo ano de grande desafio e combate em defesa da democracia e de um mundo melhor!

Bom Natal e Feliz Ano Novo!

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